Hoje eu vim pra falar do ENUDS (info aqui), estão sabendo?
Pra quem ainda não conhece, o ENUDS é um Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual.
O nome já diz muita coisa né?
Então! O que eu venho contar é que o ENUDS é uma grande oportunidade de a De Leite ter mais divulgação e de nós, membros ganharmos experiência!
É que fomos convidados a trabalhar como monitores, e ainda vamos ministrar uma oficina!
Oportunidades, oportunidades!
Como monitores, o que teríamos que fazer?
As tarefas ainda estão sendo divididas, mas algumas funções são:
• Fica responsável por organizar as salas antes e depois de oficinas e cursos;
• Deve cumprir 20 horas de trabalhos na semana do evento
• Alguns monitores trabalharam no horário do almoço (mas fará pausa para almoço normalmente antes ou depois do horário em quadro);
• Indicarão lugares como: salas de cursos/oficinas, banheiro, refeitório e informações gerais.
Como nem todos os monitores conhecem muito bem o espaço onde será realizado o evento (UFMG), haverá um “curso de capacitação” para preparar o monitor pra essa função.
Cada monitor receberá uma bolsa com material do evento: blusa, squeeze, flyers, etc.
O monitor será isento de inscrição (que na versão “mais barata” custa 40 reais e não inclui alimentação), e terá direito a alimentação (café-da-manhã, almoço e jantar).
Não é obrigatória a presença do monitor todos os dias do evento, mas sua programação de trabalho deve ser definida junto ao coordenador e cumprindo às 20 horas.
Obrigações de cada um, turno e demais detalhes serão definidos depois junto com o coordenador. Mas para isso já deve confirmar a presença como monitor.
E onde fazer isso? No próprio site do encontro! Link aqui!
A oficina vai explorar uma campanha De Leite com fotos da Ilana Caiafa (www.ilanacaiafa.com.br) e com a Mariane (Mari) como modelo! Vocês podem conferir a campanha aqui, no site Mulheres de Cueca!
Estamos fazendo acontecer!
Ajude, você também, a fazer a diferença!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Rubem Alves, por hoje...
O gato que gostava de cenouras
O TELEFONE tocou. Queriam uma entrevista sobre o livrinho "O gato que gostava de cenouras". Não entendi o nome da revista porque estou ficando meio surdo e, por vergonha, não pedi que repetissem. A entrevista começou...
Gato gosta de peixe, de rato e de passarinho. Gato não gosta de cenoura. Numa terra de gatos, um gato que gostasse de cenoura seria uma aberração, uma vergonha para os pais, motivo de chacota e zombaria na escola...
O nome dele era Gulliver; carinhosamente, Gullinho. Seus pais não sabiam do seu gosto pelas cenouras. Comer cenouras era um ato secreto, escondido. Seus pais só se preocupavam com o fato de que ele não comia os deliciosos ratinhos recém-nascidos, os pardais saborosos, os peixes cheirosos que lhe traziam para abrir o apetite.
Gullinho era diferente dos demais gatos. E isso fazia seus pais sofrerem muito porque o que os pais mais desejam é que seus filhos sejam iguais aos outros.
O fato era que os pais de Gullinho ignoravam que ele, escondido, comia a comida proibida, cenoura... A mãe acabou por desconfiar das incursões secretas do Gullinho e disse ao pai que seria melhor segui-lo para ver onde ele estava se metendo. Foi o que o pai "sogateiramente" fez.
Gullinho caminhava com cuidado, olhando para todos os lados para ver se estava sendo seguido. Andou até chegar ao sítio do senhor Joaquim. Havia canteiros com todos os tipos de hortaliça. Gullinho foi até o canteiro de cenouras e -oh! Coisa horrenda para um pai gato- começou a comer cenouras.
O pai do Gullinho quase morreu de susto. Seu filho que ele sonhara tigre não passava de um coelho. E chorou amargamente...
Resolveu procurar auxílio. Procurou um padre que ameaçou Gullinho com o Inferno. "Deus é gato. Deus ordenou que nós comêssemos peixes, ratos e passarinhos.Comer cenoura é pecado mortal!" Mas não adiantou...Gullinho continuou a vomitar peixes, ratos e passarinhos...
Aí eles o levaram ao psicanalista. A análise durou vários anos. Mas o que o doutor Gatan lhe dizia com linguagem complicada não alterava o seu gosto: ele continuava a gostar de cenouras...
Foi então que um professor da escola chamou o Gullinho para uma conversa e lhe disse: "O nosso destino está escrito nas células do nosso corpo num "chip" bem pequeno chamado DNA. Ele já está no feto, determinando a cor do seu pelo, a cor dos seus olhos, se você vai ser menino ou menina, daltônico ou não, canhoto ou destro. Você nada pode fazer para mudar as ordens que estão no seu "chip". E acontece o mesmo com o nosso gosto por ratos ou por cenouras... Não é pecado, como o padre disse, porque foi o DNA que o fez assim... Não é resultado de educação porque foi o DNA que o fez assim... E nem pode ser curado, como se fosse uma doença, porque é o DNA que o fez assim... Igual ao daltonismo".
Gullinho olhou em silêncio para o professor e, pela primeira vez, entendeu tudo. E ele sentiu que um enorme peso fora tirado de cima dele. Entendeu então que ele podia gostar de cenoura porque fora o DNA que o fizera assim -e ninguém tinha nada com isso.
Eu ainda estava na cama quando minha filha me acordou.
"Pai, você apareceu na "G Magazine", a reportagem do gato..."
"Mas o que é "G Magazine'?", perguntei.
Aí eu entendi por que o assunto da entrevista tinha sido "O gato que gostava de cenouras"...
O TELEFONE tocou. Queriam uma entrevista sobre o livrinho "O gato que gostava de cenouras". Não entendi o nome da revista porque estou ficando meio surdo e, por vergonha, não pedi que repetissem. A entrevista começou...
Gato gosta de peixe, de rato e de passarinho. Gato não gosta de cenoura. Numa terra de gatos, um gato que gostasse de cenoura seria uma aberração, uma vergonha para os pais, motivo de chacota e zombaria na escola...
O nome dele era Gulliver; carinhosamente, Gullinho. Seus pais não sabiam do seu gosto pelas cenouras. Comer cenouras era um ato secreto, escondido. Seus pais só se preocupavam com o fato de que ele não comia os deliciosos ratinhos recém-nascidos, os pardais saborosos, os peixes cheirosos que lhe traziam para abrir o apetite.
Gullinho era diferente dos demais gatos. E isso fazia seus pais sofrerem muito porque o que os pais mais desejam é que seus filhos sejam iguais aos outros.
O fato era que os pais de Gullinho ignoravam que ele, escondido, comia a comida proibida, cenoura... A mãe acabou por desconfiar das incursões secretas do Gullinho e disse ao pai que seria melhor segui-lo para ver onde ele estava se metendo. Foi o que o pai "sogateiramente" fez.
Gullinho caminhava com cuidado, olhando para todos os lados para ver se estava sendo seguido. Andou até chegar ao sítio do senhor Joaquim. Havia canteiros com todos os tipos de hortaliça. Gullinho foi até o canteiro de cenouras e -oh! Coisa horrenda para um pai gato- começou a comer cenouras.
O pai do Gullinho quase morreu de susto. Seu filho que ele sonhara tigre não passava de um coelho. E chorou amargamente...
Resolveu procurar auxílio. Procurou um padre que ameaçou Gullinho com o Inferno. "Deus é gato. Deus ordenou que nós comêssemos peixes, ratos e passarinhos.Comer cenoura é pecado mortal!" Mas não adiantou...Gullinho continuou a vomitar peixes, ratos e passarinhos...
Aí eles o levaram ao psicanalista. A análise durou vários anos. Mas o que o doutor Gatan lhe dizia com linguagem complicada não alterava o seu gosto: ele continuava a gostar de cenouras...
Foi então que um professor da escola chamou o Gullinho para uma conversa e lhe disse: "O nosso destino está escrito nas células do nosso corpo num "chip" bem pequeno chamado DNA. Ele já está no feto, determinando a cor do seu pelo, a cor dos seus olhos, se você vai ser menino ou menina, daltônico ou não, canhoto ou destro. Você nada pode fazer para mudar as ordens que estão no seu "chip". E acontece o mesmo com o nosso gosto por ratos ou por cenouras... Não é pecado, como o padre disse, porque foi o DNA que o fez assim... Não é resultado de educação porque foi o DNA que o fez assim... E nem pode ser curado, como se fosse uma doença, porque é o DNA que o fez assim... Igual ao daltonismo".
Gullinho olhou em silêncio para o professor e, pela primeira vez, entendeu tudo. E ele sentiu que um enorme peso fora tirado de cima dele. Entendeu então que ele podia gostar de cenoura porque fora o DNA que o fizera assim -e ninguém tinha nada com isso.
Eu ainda estava na cama quando minha filha me acordou.
"Pai, você apareceu na "G Magazine", a reportagem do gato..."
"Mas o que é "G Magazine'?", perguntei.
Aí eu entendi por que o assunto da entrevista tinha sido "O gato que gostava de cenouras"...
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