quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

We give a Damn!

Ficamos uma temporada sem atualizações... Mas de volta e com um email da Nina e propõe umas discussões bem bacanas... Comentem, entrem em contato com a DeLeite... Vamos pensar juntos...


Vídeo a favor dos direitos LGBT ^^

Depois desse projeto também rolou o Trevor Project (It gets better):
http://www.youtube.com/watch?v=nLVqb-aiR3E

O que eu quero dizer com esse e-mail é que o público LGBT precisa de apoio, de ajuda, de uma mão para apoia-los. E não ver que o que eles são é somente usado como xingamento.
Eu estou triste hoje. E eu estou triste por vários motivos...
Mas algo dói mais forte. Dói mais forte porque não é só comigo, não é alguém que tenha me batido, não é um namoro que terminou, não é um trabalho rejeitado: dói como se estivesse em mim todas as pessoas que sofrem a mesma dor. Porque eu não sou mais eu neste caso; porque deixa-se de ser uma identidade quando passa-se a ser um todo. E neste caso lhes digo: eu sou o todo, como muitos de vocês. Somos o todo.
E sendo esse todo, me machucam as palavras e atitudes com uma intensidade indescritível, como se tudo aquilo fosse para mim - por não deixar de ser, por eu também ser esse todo, essa multidão de lágrimas que outras pessoas derramam.
Eu não sei quantos de vocês gostam de futebol, eu não sei quantos de vocês ao menos respeitam futebol. Eu gosto muito de futebol, entendo lhufas, mas gosto de ver... Mas acima de tudo, respeito o futebol. E você? Você respeita o futebol?
Anteontem estive para morrer de raiva em uma discussão com um conhecido. No dia seguinte, ao ver um casal de homens no metrô que trocavam olhares e carinhos - seguravam as mãos com suas alianças e suas felicidades - quase chorei. Explico como esses dois fatos estão relacionados e como tem exatamente total ligação com a minha pergunta sobre futebol:
Já fui ao estádio algumas vezes. Desde a primeira vez eu questionei calada - questionei a mim mesma, gravei em minha memória - o motivo de algumas pessoas, eventualmente, gritarem"viado!" para algum jogador que não havia feito bem um passe de bola, ou errado um gol. Depois fui entendendo melhor, depois fui percebendo melhor; era um xingamento normal dentro do futebol.
Gay vira xingamento.
Mulher vira xingamento.
Negro... Negro não pode mais, é feio.
E explico: mulher sempre foi subestimada dentro de nossa sociedade, como aquele tipo de ser humano que não pode e não consegue jogar bola. A primeira vez que tentei entrar em uma escolinha de futebol escutei essas palavras do professor. O QUE? Os meninos são bons de bola e as meninas só pisam na bola?! Nada disso! Isso tinha de ser mudado. É fato, então, que as coisas foram se modificando e hoje já há mais liberdade para que as fêmeas se empolguem diante da bola num campo de futebol: com a grama a seus pés. Mas ainda hoje escuto, quando passo perto de um bar com transmissões de marmanjos correndo atrás de um gol: "mulherzinha!", "joga igual homem!", etc. Mas se você fala "hey! Você está nos ofendendo! Mulher pode jogar futebol também! Está na lei que nós não podemos ser ridicularizados ou menosprezados pelo nosso sexo! Certo?" Pronto: cala-se a boca de quem estava a gritar bobagens.
Mas eles gritam! E como gritam.
Já com os gays; "seu viadinho!", "gaylo", "bichinha!", "FAZ O GOL, SEU VIADO!"... Isso não. Isso pode, porque nesse particular estamos no mágico "mundo paralelo do futebol".
É isso que me entristece o olhar nesses últimos dias. Foi essa frase que ouvi, nada descuidada, de um amigo de um namorado meu...
Toda vez que se usa gay como xingamento um gay se sente mal. Ele se sente humilhado. Ele se sente menor, menos. Ele não pode ser certo se o que ele é... É apenas um xingamento.
Toda vez que você chama a torcida adversária de bichas, eu SEI que você não está querendo dizer que eles são (Sim! Ouvi isso também! "Quando falo gaylo não estou ofendendo toda a minha família")... Aliás, olhem o problema: porque você estaria ofendendo sua família? Porque eles são heterosseuais e ser homossexual é ruim? "É só de brincadeira"? O que é brincadeira? Que quando você os chama de gays... Não! Que é isso! É brincadeira! Eles não são gays!!!!! Eles não são essa coisa ruim! Falar que eles são gays é só uma forma de zoa-los, de rebaixá-los?!
Viram como uma simples gritada de "seu viado!" pode acarretar muitos conceitos?
Quando se grita "viado", e alguém fala que isso é um problema a pessoa já se justifica que não está chamando ninguém de viado de verdade, que as pessoas que ele chama de viado não são viados de verdade nem passam a ser isso aí só porque ele xingou de viado! Que é de #brinks...
Então, gente, o que eu quero dizer é que cada vez que uma pessoa é estúpida o suficiente para considerar que GAY pode ser usado como xingamento (porque ele sabe que isso ofende, que ser gay no futebol não pode)... Bem, toda vez que fazemos isso só estamos financiando suicídio de pessoas que começam a se achar erradas por NOSSA culpa.
Já pensou que você pode ser culpado - não legalmente, mas além disso, pessoalmente - por muitos homicídios?
Já pensou em quantos?!
Em quantos pais levam a sério que "gay" é uma ofensa, que eles sabem que os filhos serão zoados e provavelmente excluídos pois toda vez que os filhos estiverem no campo de futebol eles ouvirão que a condição deles é errada, é apenas algo que se usa para ofender um jogador ou uma torcida adversária.
Espero que da próxima vez que vocês estiverem por aí ou por aqui eu possa ver mais respeito nas pessoas;
Espero que da próxima vez que vocês gritarem "gay" com o intuito de xingar, vocês pensem que isso, "apenas" isso, pode matar alguém.



Corajosos são os que tem coragem de amar. De ser quem são mesmo num país, numa sociedade, tão preconceituoso/a.
"Eu sou o amor que se recusa a dizer o nome", nas palavras de Oscar Wilde



Abraços a todos e dessa vez espero resposta de vocês, se esse texto tocá-los ainda que um pouco.
Ah, sim! Podem repassar o texto a vontade, caso queiram. Caso percebam o que eu quis dizer.
Até mais!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ENUDS

Hoje eu vim pra falar do ENUDS (info aqui), estão sabendo?

Pra quem ainda não conhece, o ENUDS é um Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual.

O nome já diz muita coisa né?

Então! O que eu venho contar é que o ENUDS é uma grande oportunidade de a De Leite ter mais divulgação e de nós, membros ganharmos experiência!

É que fomos convidados a trabalhar como monitores, e ainda vamos ministrar uma oficina!
Oportunidades, oportunidades!

Como monitores, o que teríamos que fazer?

As tarefas ainda estão sendo divididas, mas algumas funções são:

• Fica responsável por organizar as salas antes e depois de oficinas e cursos;
• Deve cumprir 20 horas de trabalhos na semana do evento
• Alguns monitores trabalharam no horário do almoço (mas fará pausa para almoço normalmente antes ou depois do horário em quadro);
• Indicarão lugares como: salas de cursos/oficinas, banheiro, refeitório e informações gerais.

Como nem todos os monitores conhecem muito bem o espaço onde será realizado o evento (UFMG), haverá um “curso de capacitação” para preparar o monitor pra essa função.
Cada monitor receberá uma bolsa com material do evento: blusa, squeeze, flyers, etc.
O monitor será isento de inscrição (que na versão “mais barata” custa 40 reais e não inclui alimentação), e terá direito a alimentação (café-da-manhã, almoço e jantar).
Não é obrigatória a presença do monitor todos os dias do evento, mas sua programação de trabalho deve ser definida junto ao coordenador e cumprindo às 20 horas.
Obrigações de cada um, turno e demais detalhes serão definidos depois junto com o coordenador. Mas para isso já deve confirmar a presença como monitor.
E onde fazer isso? No próprio site do encontro! Link aqui!

A oficina vai explorar uma campanha De Leite com fotos da Ilana Caiafa (www.ilanacaiafa.com.br) e com a Mariane (Mari) como modelo! Vocês podem conferir a campanha aqui, no site Mulheres de Cueca!

Estamos fazendo acontecer!

Ajude, você também, a fazer a diferença!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Rubem Alves, por hoje...

O gato que gostava de cenouras

O TELEFONE tocou. Queriam uma entrevista sobre o livrinho "O gato que gostava de cenouras". Não entendi o nome da revista porque estou ficando meio surdo e, por vergonha, não pedi que repetissem. A entrevista começou...
Gato gosta de peixe, de rato e de passarinho. Gato não gosta de cenoura. Numa terra de gatos, um gato que gostasse de cenoura seria uma aberração, uma vergonha para os pais, motivo de chacota e zombaria na escola...
O nome dele era Gulliver; carinhosamente, Gullinho. Seus pais não sabiam do seu gosto pelas cenouras. Comer cenouras era um ato secreto, escondido. Seus pais só se preocupavam com o fato de que ele não comia os deliciosos ratinhos recém-nascidos, os pardais saborosos, os peixes cheirosos que lhe traziam para abrir o apetite.
Gullinho era diferente dos demais gatos. E isso fazia seus pais sofrerem muito porque o que os pais mais desejam é que seus filhos sejam iguais aos outros.
O fato era que os pais de Gullinho ignoravam que ele, escondido, comia a comida proibida, cenoura... A mãe acabou por desconfiar das incursões secretas do Gullinho e disse ao pai que seria melhor segui-lo para ver onde ele estava se metendo. Foi o que o pai "sogateiramente" fez.
Gullinho caminhava com cuidado, olhando para todos os lados para ver se estava sendo seguido. Andou até chegar ao sítio do senhor Joaquim. Havia canteiros com todos os tipos de hortaliça. Gullinho foi até o canteiro de cenouras e -oh! Coisa horrenda para um pai gato- começou a comer cenouras.
O pai do Gullinho quase morreu de susto. Seu filho que ele sonhara tigre não passava de um coelho. E chorou amargamente...
Resolveu procurar auxílio. Procurou um padre que ameaçou Gullinho com o Inferno. "Deus é gato. Deus ordenou que nós comêssemos peixes, ratos e passarinhos.Comer cenoura é pecado mortal!" Mas não adiantou...Gullinho continuou a vomitar peixes, ratos e passarinhos...
Aí eles o levaram ao psicanalista. A análise durou vários anos. Mas o que o doutor Gatan lhe dizia com linguagem complicada não alterava o seu gosto: ele continuava a gostar de cenouras...
Foi então que um professor da escola chamou o Gullinho para uma conversa e lhe disse: "O nosso destino está escrito nas células do nosso corpo num "chip" bem pequeno chamado DNA. Ele já está no feto, determinando a cor do seu pelo, a cor dos seus olhos, se você vai ser menino ou menina, daltônico ou não, canhoto ou destro. Você nada pode fazer para mudar as ordens que estão no seu "chip". E acontece o mesmo com o nosso gosto por ratos ou por cenouras... Não é pecado, como o padre disse, porque foi o DNA que o fez assim... Não é resultado de educação porque foi o DNA que o fez assim... E nem pode ser curado, como se fosse uma doença, porque é o DNA que o fez assim... Igual ao daltonismo".
Gullinho olhou em silêncio para o professor e, pela primeira vez, entendeu tudo. E ele sentiu que um enorme peso fora tirado de cima dele. Entendeu então que ele podia gostar de cenoura porque fora o DNA que o fizera assim -e ninguém tinha nada com isso.


Eu ainda estava na cama quando minha filha me acordou.
"Pai, você apareceu na "G Magazine", a reportagem do gato..."
"Mas o que é "G Magazine'?", perguntei.
Aí eu entendi por que o assunto da entrevista tinha sido "O gato que gostava de cenouras"...

domingo, 19 de julho de 2009

Oooooooi !
Parabéns ao mundo, ao destino e todo o tipo de conspiracão que houve para que você recebesse aquele folheto! Comemoremos!
Ah, agora você deve estar se perguntando quem são os loucos que, em meio a festa e a pegação da parada gay estavam distribuindo panfletos não-comerciais?
Pois então, prazer: somos a De Leite. Um grupo surgido da ideia e da vontade de mudança! Ora, pois! Se existe a homofobia, se existe o racismo, o sexismo... Porque não tentar acabar com eles? Melhorando assim o mundo onde vivemos.
E o que nós estavamos querendo lá, no meio dessa bela festa?
Lembrar que essa festa só começou a existir porque alguém quis dizer aos preconceituosos de plantão: "Hey! Com lincença, mas ser gay não é ser triste! Sou uma bichona e sou feliz!". Na época a sociedade achava que ser homossexual era sofrer, e etc; mas estamos aqui para comprovar que não: nós sorrimos muito! E vamos continuar sorrindo pois estamos lutando para conseguir nossos direitos! Aliás, ainda vamos abrir um puta sorriso quando conseguirmos o direiro de sermos cidadãos, sermos respeitados, podermos casar e tantas outras coisas que nós humanos - gays, heteros, e toda a gama de variedade que pode existir entre os dois deveríamos ter garantidas desde a barriga.
Por isso estamos aqui! Queremos chamá-lo para estar conosco! Vem, vamos fazer algo! "Que esperar não e saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer! "
E-mail: recrutarvoce@gmail.com
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=57617712